A Origem dos Anjos do ShemhaMephorash

Quando falamos dos chamados “Anjos do Shem”, estamos tocando em uma das tradições mais antigas e enigmáticas do misticismo hebraico. O nome completo é Shem haMephorash (שם המפורש), expressão que pode ser traduzida como “O Nome Explícito” ou “O Nome Desdobrado”. Não se trata de um título comum — estamos falando daquilo que, na tradição cabalística, é considerado um dos mistérios mais profundos do Nome Divino.

A origem desses anjos remonta ao livro do Êxodo, capítulo 14, versículos 19 a 21. No texto hebraico original, esses três versículos possuem exatamente 72 letras cada. Os sábios da tradição judaica perceberam algo incomum ali. Ao organizar as letras em sequência alternada — uma linha da direita para a esquerda, a seguinte invertida, e a terceira novamente no sentido original — forma-se uma matriz de 72 tríades de letras hebraicas.

Cada tríade é entendida como uma vibração específica do Nome Divino. E cada uma dessas combinações passou a ser associada a uma inteligência espiritual — o que mais tarde, no misticismo ocidental, ficou conhecido como os 72 Anjos do Shem haMephorash.

Não estamos falando de “anjos” no sentido popular de figuras aladas decorativas. Na visão cabalística, cada Nome é uma força, um canal de manifestação, uma frequência espiritual. São princípios ativos que expressam atributos da divindade: cura, proteção, revelação, justiça, sabedoria, transformação.

A tradição medieval judaica, especialmente nos círculos ligados à Cabala prática, considerava o Shem haMephorash um instrumento de meditação e invocação altamente restrito. Já no Renascimento, magos cristãos como Johann Reuchlin e Heinrich Cornelius Agrippa incorporaram esses nomes ao sistema mágico ocidental, associando cada anjo a graus do zodíaco e a períodos específicos do ano.

No “papo de mago”, o que isso significa?

Significa que o universo não é silencioso. Ele fala em códigos. E os 72 Nomes são como chaves. Cada nome carrega um padrão vibratório específico. Alguns trabalham cura emocional. Outros proteção espiritual. Outros revelação de caminhos.

Mas há um ponto crucial: o Shem não é ferramenta de curiosidade. Ele exige reverência. A tradição ensina que esses Nomes devem ser contemplados, não manipulados com leviandade. Não são atalhos para desejos egoístas — são pontes de alinhamento.

A Cabala nos lembra que “השם אחד” (HaShem Echad) — “O Nome é Um”. Os 72 não são divisões da divindade; são expressões da Unidade. São raios de uma mesma luz.

E talvez o maior ensinamento esteja aqui: quando um praticante trabalha com os Nomes do Shem, ele não está chamando algo de fora — está despertando algo dentro.

Porque o Nome, no fim das contas, é consciência.


Escrito por: Fábio Santos – Artesão Mago & Autor

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Fábio Santos

Fábio Santos é o fundador do Chapéu de Magus, Artesão da Grande Obra. Mago dedicado, une tradição e prática com rigor e ética. Respeitado no meio ocultista, é conhecido pelo trabalho sério, precisão ritual e compromisso com a excelência.